7ª Semana Internacional de Solidariedade com xs presxs anarquistas, 23 à 30 de agosto de 2019

Nos aproximamos da 7ª Semana Internacional de Solidariedade com xs Presxs Anarquistas. Faz 6 anos que te chamamos para que demonstre sua solidariedade com nossxs companheirxs de todo o mundo. Julgamentos na Itália, França, Alemanha e Rússia estão levando cada vez mais anarquistas à boca do sistema penitenciário.

É nosso dever, dxs que ficam fora das prisões, ajudar nossxs companheirxs a cumprir suas condenações sabendo que não estão sozinhxs em sua luta. Talvez não conheça essas pessoas. Talvez não fale seu idioma e o mais provável é que nunca xs conhecerá. Mas através de suas ações demonstra que elas são bem-vindas neste mundo. Mais bem-vindas que guardas das prisões e juízes. Mais que presidentes e reis. Então deixa que sua solidariedade flua através das paredes das prisões e lute até que todxs sejam livres!

Estamos ansiosxs para ouvir suas histórias de ações e eventos. Então envie-as para tillallarefree@riseup.net.

Ao final da semana faremos um resumo desses eventos.

https://solidarity.international/

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Agosto: Mês de agitação em memória de Santiago Maldonado

Convidamos que no mês de agosto todas as individualidades e coletivos que se sintam próximos do destino que nosso companheiro Santiago Maldonado teve, desaparecido e assassinado pelo Estado argentino.

A partir de 1° de agosto deixemos ver nossa raiva, nossas propostas para o conflito, nossa inquebrantável vontade. Nada terminou conosco, somos faíscas que podem se acender e se apagar, mas sempre estaremos lá.

Desbordemos nossas formosas criatividades, atividades, reuniões, cortes de ruas e estradas, marchas, façamos o que quisermos. Disso se trata nossa liberdade, disso se trata lembrar nossxs irmãxs caídxs. Que a anarquia desborde os confins e margens desta asquerosa sociedade.

Nem mártires nem heróis!
Memória ativa com xs nossxs!
Que viva a anarquia!

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Punki Mauri, presente! 10 anos da morte em ação de Mauricio Morales

NOITE NEGRA DE NEGROS AUGÚRIOS

“A noite já avançou. Não faz tanto frio para toda as roupas que obscurecem nossa imagem, mas isso não importa, o vento refresca nosso rápido avanço. Estamos a tempo. Tudo até o momento vai bem.

Estamos sozinhxs, sozinhxs como nunca e como sempre. Pelas ruas sombrias e maltratadas, rodeamos a fábrica de carcereirxs. Nos aproximamos. A próxima parada está perto. Na minha mente reviso o plano acordado…”
– “Uma saudação de Liberdade” – (1)

Depois de um feriado que antecipava um longo final de semana para muitxs, a cidade de Santiago foi dormir na fria madrugada de 22 de maio de 2009. Uma zona da Avenida Matta permanecia quieta, longe das luzes e agitação dos locais comerciais. Apenas dois ciclistas avançam como silhuetas difusas para diferentes câmaras de segurança.

O avanço é interrompido quando as silhuetas se separam e uma delas desce da bicicleta para arrumar algo em sua mochila. Um grande explosão corta então a filmagem.

O barulho de uma explosão poderosa ecoa pelas ruas, a confusão desperta o lugar, lançando alertas policiais.

No meio da rua Ventura Lavalle, quase na esquina com Artemio Gutiérrez, um corpo sem vida está envolto em um rastro de pólvora, ao lado um revólver – com uma única bala no tambor – mais adiante uma bicicleta negra espera para continuar a viagem. Apenas a poucos metros se encontra a Escola de Gendarmería, lugar onde xs carcereirxs recebem doutrinação e especialização.

A polícia, a imprensa, bombeiros e vizinhxs vão chegando no lugar. Após a confusão inicial, as primeiras inspeções mostram o que aconteceu. Um homem havia sido morto pela detonação de um artefato explosivo que portava, o objetivo do ataque era o lugar dxs carcereirxs.

Fotógrafos da imprensa se aproximam do corpo e registram as primeiras imagens, difundidas sem filtro para aterrorizar, detalhes macabros e falsos espalhados pela mídia à medida que as horas passam.

Depois de cercar a área, a equipe criminalista dos carabineros vai recolhendo as evidências, fotografando e atribuindo um número a cada peça levantada. Como não havia nenhum documento de identificação, fazem o registro das impressões digitais para encontrar a identidade. A obtém no decorrer da manhã.

O homem morto é Mauricio Morales, de 27 anos, anarquista, que registra detenções e controles em manifestações anárquicas. Pela imprensa suas tatuagens são descritas com minuciosidade, é quase meio-dia de 22 de maio de 2009.

Os primeiros ataques à sua família de sangue começam. A caçada já está desencadeada.

CARNIÇA JORNALÍSTICA…

“Se a imprensa pudesse ter derramado sangue pela tela, teria feito, mas, ainda assim, esse sangue teria continuado sendo guerreiro, nunca submetido e esse orgulho no alto era o que mais xs incomodava”
– Macul con Grecia- (2)

As empresas de comunicação não pouparam adjetivos para descrever o lugar, inventando passagens escabrosas. A exposição do corpo e suas feridas atingiu níveis que só se entendem dentro da lógica do terrorismo de estado.

À 13:30 horas, nos noticiários do meio-dia difundiram a identidade de Mauri, com sua foto do documento, também indicando que pertencia a uma coletividade que okupava uma casa no centro de Santiago.

Durante meses, as investigações policiais pela série de atentados explosivos contra símbolos do poder e dependências bancárias, centraram suas atenções nas okupações, especialmente em algumas, de onde a propaganda e agitação anárquica eram constantes.

Então, quase simultaneamente com a entrega do nome de Mauri, duas incursões ocorrem no centro de Santiago. Os carabineros invadiram uma casa particular, que funcionava como centro social, e a polícia investigativa invade a okupação “La Idea”, de onde várixs detidxs foram levadxs.

Equipes jornalismo televisionam e cobrem as incursões, enquanto falam dos “avanços na investigação”. Entre declarações pomposas afirmam que o acompanhante de Mauri foge ferido, estaria identificado e sua captura era descrita como “iminente”.

A polícia investigativa levou até um de seus quartéis xs companheirxs detidxs, onde tentaram interrogar várixs delxs. Lhes perguntavam pela pessoa que acompanhava Mauri. Lhes pediam um nome que ao menos elxs “imaginaram” que poderia ser, ao que se negaram de forma taxativa. Foram, assim, pressionadxs “se não cooperarem lhes mostraremos fotografias de como ficou o corpo”. Para a polícia, o corpo de Mauri se tornou um troféu, com o qual quiseram atingir todo o seu entorno.

Fizeram uma festa midiática com a morte de Mauri, indagando sobre sua vida, sua família, seu comportamento na universidade e até mesmo destacando que ele mantinha dívidas com uma casa comercial, buscando ridicularizá-lo a todo custo.

Equipes de um canal de televisão se aproximam dxs companheirxs e família que esperavam a entrega do corpo do lado de fora do Serviço Médico Legal, tentam conseguir uma entrevista com o mesmo velho e fundamentado argumento “queremos dar-lhes a oportunidade de defendê-lo, de explicar por que ele fez isso, estão dizendo coisas muito feias…” A pontapés e empurrões os fizeram retroceder.

Na mesma noite de 22 de maio, num canal de notícias mostrou uma grotesca entrevista com dois supostos companheiros de Mauri, que de costas, encapuzados e com a voz distorcida, contariam o “plano” do companheiro, com um roteiro absurdo e sem sentido. Este é talvez uma das passagens mais patéticas e lastimáveis, que serve como um barômetro do ódio que inspira a figura de qualquer um que atente, mesmo correndo o risco de sua vida, contra o domínio e sua ordem.

EM DEFESA DE UM COMPANHEIRO

“Companheirxs, estamos conscientes e sabemos bem o que vai acontecer agora, sabemos que dias e meses difíceis estão chegando. Mas também sabemos que a dor e a tristeza da partida de nosso irmão não pode nos paralisar. Recordamos insistentemente que ele morreu em combate, que a ofensiva tem variadas formas, que nenhuma vale mais que a outra. Apelamos então, que a formosa chama de seu coração anarquista propague o irredutível desejo de aniquilar esta realidade. Seu corpo encontra-se agora prisioneiro nas mãos da polícia e seus mercenários, mas a energia de sua vida permanece conosco, com xs companheirxs que junto a ele e de diversas formas enfrentaram e enfrentam aquelxs que querem nos transformar em escravxs”.
– “Um guerreiro morreu mas nosso fogo não se apaga” -(3)

As duas casas invadidas estavam a cerca de 15 quarteirões de distância, no meio de ambas se encontrava o Centro Social Okupado y Biblioteca Sacco y Vanzetti, lugar onde Mauri vivia e cujxs companheirxs decidiram fazer frente a possível incursão e agitar as águas da memória.

Encapuzadxs do telhado enfrentaram os primeiros carros policiais que chegaram ao local, em minutos a rua foi isolada, enquanto a imprensa se situava nos melhores lugares.

Mas assim como chegou a carniça, também foram chegando companheirxs, foi correndo a voz e de diferentes pontos, distintxs compas se fizeram presentes, muitxs não conheciam Mauri, mas movidxs por um genuíno impulso solidário chegaram decididxs a contribuir.

No meio da tarde foram registrados os primeiros choques com a imprensa, memorável é o ataque a uma equipe televisiva, que momentos atrás havia gerado a detenção de algumxs companheirxs. Com ousadia, a imprensa foi expulsa do lugar, aflorando cumplicidade, resistência e ofensiva.

Não se tratava de defender uma casa ou xs companheirxs que do telhado desafiavam o poder, se tratava de defender a memória de Mauri, cortando a quietude de 22 de maio. Um companheiro havia partido, um irmão, mas não eram lágrimas o que iam ser dadas à imprensa e à polícia, havia dor, mas não havia derrota.

Um sentimento urgente e coletivo de defesa do companheiro, foi a faísca que acendeu o pavio, Mauri involuntariamente operou como um catalisador para a sedição anárquica.

Talvez o formoso dessa longa jornada carregada de sentimentos caóticos, se encontra no caminho de fazer frente ao golpe da morte e os estilhaços da caçada policial.

Em vez de silêncio, submissão e dispersão, a resposta foi resistência e ofensiva, expulsando a imprensa das proximidades da okupação Sacco y Vanzetti, se agrupando a várixs compas para levantar barricadas e enfrentar a investida policial.

Essa é a beleza da confrontação. Justo nesses momentos onde os poderosos e seus múltiplos personagens ver a derrota expandida, a forma indômita de enfrentar esse momento foi a melhor propaganda de anarquia e companheirismo.

Depois das 22 horas, quase cem companheirxs permaneciam reunidxs em frente à “Sacco”, de uma de suas janelas um alto-falante expandia a música que Mauri escutava, as canções que cantava e sua voz (e risos) acompanhavam a noite.

Enteiradxs do avanço dos carros policiais, xs companheirxs na rua decidem sair para procurar os piquetes, levantando barricadas em todo o bairro. Se iniciava assim um combate que durou horas, movendo-se por toda a região buscando as principais artérias. Foi uma noite de múltiplas labaredas.

Houve detidxs, companheirxs golpeadxs e diversas tentativas dos carabineros para entrar na okupação, mas mesmo quando lançaram água e gases, finalmente não conseguiram entrar. Do telhado os esperavam ansiosamente…

Nas primeiras luzes da manhã, as barricadas ainda fumegavam e cada parede do bairro recordava a Mauri. Se semeava assim a semente da memória negra.

ESTILHAÇOS E CAÇADA

“Hoje, o Estado, a polícia, os gestores econômicos e a intelectuais deste país mostram sua inépcia atacando casas, levantando grotescas declarações, repetindo as imagens da descarada perseguição política, democrática ou ditatorial, dá no mesmo”.
– “Uma saudação de Liberdade” – (4)

No funeral chegaram centenas de companheirxs de diferentes lugares, muitxs ainda sem declarar afinidade completa com as ideias e ações de Mauri, demostraram com sua única presença respeito, solidariedade e companheirismo.

Novamente nos momentos em que o “racional” ditava para se resguardar, o mais distante possível para não se ver afastadxs com a arremetida policial, o germe anárquico se reuniu para se despedir do corpo físico do companheiro.

Faixas, capuzes e vontade foram acompanhados pelo caixão que, de acordo com as ideias de Mauri, levava uma pixação onde se lia “Nem deus nem amo”. A família de sangue decidiu sair dos carros e acompanhar a pé o caminho até o cemitério, avançando junto com todxs xs companheirxs. Se tratava de evitar a todo custa que os carros policiais cortassem a marcha e isolassem o caixão.

Depois do funeral, levantaram algumas barricadas nas redondezas do cemitério, sem que houvesse detidxs no local. A imprensa vigiou à distância, conseguindo obter algumas imagens próximas apenas nos arredores da casa da família de sangue.

Os ecos dos enfrentamentos depois da morte de Mauri, foram superando qualquer distância, levando a notícia a diferentes territórios, de onde foram manifestando solidariedade, contribuindo para a expansão da memória.

A presença policial e jornalística em torno das okupações foi permanente, intensificando os controles que já existiam desde antes de 22 de maio. O poder, por meio do assédio, buscava provocar o fechamento dos espaços, porque entendia a contribuição que significavam para a propagação das ideias/ações antiautoritárias.

Carabineros e a polícia investigativa disputavam o protagonismo no caso, elaborando diferentes teorias, que finalmente implicaram a presença de ambas polícias no entorno de Mauri. Mesmo assim, nenhum caminho os levou a seu acompanhante.

O rompimento entre a família de sangue e xs companheirxs de Mauri, que a polícia não pode conseguir em um primeiro momento, foi obtido ao longo dos meses. Psicólogos policiais foram assessorando a família de sangue, aproveitando-se delxs, guiando e orientando sua dor para o caminho que atendesse à investigação.

Então, finalmente, de um familiar, a polícia obtém uma declaração com uma lista de pessoas que possivelmente acompanhavam Mauri, que também seriam “culpadxs” de sua decisão de atacar, de suas ideias e ações contra a autoridade.

Tudo isso seris conhecido apenas em 2010, quando no âmbito do tristemente famoso “Caso Bombas”, muitxs de seus companheirxs enfrentavam as acusações do poder.

Em uma tese distorcida e inventada da promotoria, havia uma organização ilícita terrorista, com um plano criminoso estudado para difundir o terror por meio de ações diretas. Nesta organização havia supostos líderes e uma estrutura definida, com papéis estabelecidos. E como a cereja no bolo, a promotoria argumentou que para realizar o “plano criminoso” xs imputadxs levantavam “fachadas” de okupações, chamadas no delírio fiscal como centros de poder.

Mauri e outrxs 14 companheirxs, foram apontados como parte integrante desta organização ilícita terrorista. Durante as intermináveis audiências é onde a declaração de parte de la família de sangue vem à tona. Foi um momento duro e amargo, porque além de todo o carnaval mediático e policial após sua morte, finalmente, parte de sua família nuclear não só pisou a sua vida e valores ácratas, negava também sua força individual e colaborava com os eternos inimigos de Mauri: os defensores da autoridade.

Ao longo dos anos, o curso dos acontecimentos pode parecer tragicômico, com suas voltas e delírios investigativos, mas o certo é que assim conseguiram desarticular entornos, com o medo e desgaste, e também desalojaram a okupação Sacco y Vanzetti, detiveram mais de 10 companheirxs por vários meses, estenderam o julgamento por mais de um ano e durante o processo expuseram  -mais uma vez- fotografias do corpo morto de Mauri, detalhando cada ferida. É sem dúvida lamentável que este último fato não tenha encontrado resistência, por mínima que fosse.

Finalmente, o julgamento terminou com a absolução de todxs xs acusadxs. Assim terminava -naquele momento- a tentativa de judicializar um amplo entorno anárquico e resolver, pelo menos policialmente, a morte de Mauri.

A MEMÓRIA NEGRA

“Quando a morte de repente nos surpreende, são xs vivxs que se perguntam sobre o “sentido” e “significado” desta morte… Xs mortxs não podem nos responder; apenas suas vidas e ações podem nos dar pistas sobre o que motivou nossxs irmãxs a serem como eram…”
-Gabriel Pombo da Silva- (5)

Pouco mais de três meses de sua morte, seus companheirxs de okupação editam um material escrito, onde se compila grande parte de seus escritos, canções, contos e poemas. A intenção é compartilhar coletivamente suas reflexões e ideias, para que possam se propagar para outrxs companheirxs e não deixaria Mauri preso em seu círculo íntimo.

No meio da caçada, num gesto generoso, diferentes companheirxs contribuíram com canções, escritos, entrevistas ou cartas que haviam deixado. Mauri não era um tesouro que devia ser guardado para si mesmx, escondendo-o dos olhares do resto, nem era o herói martirizado cuja figura se elevava acima dxs outrxs. Pelo contrário, sempre foi reivindicado como mais um companheiro.

Depois do embate jornalístico, com suas múltiplas difamações, entre declarações policiais pomposas que tentaram descrevê-lo, era importante fazer um resgate do companheiro. Evitar as reinterpretações e possibilitar que o próprio Mauri, em primeira pessoa através de seus múltiplos escritos, fosse se aproximando de outrxs companheirxs e entornos.

Há companheirxs cujas mortes que são explicadas pela vida que decidiram viver. O gesto de editar um livro com seus escritos, enquadra-se precisamente em possibilitar aquelxs não foram próximxs ao companheiro, conheceram o trânsito de seu caminho, os diferentes caminhos que o levaram a ser quem foi, as decisões de vida que finalmente o aproximam da morte.

Assim, Punki Mauri foi se expandindo entre companheirxs, viajando milhares de quilômetros, falando diferentes idiomas mas com uma língua negra comum. Suas experiências, valores e ideias voaram, derrubando as fronteiras do tempo e da geografia. Houve decisão e persistência em que a chama de sua vida não se apagará.

A memória negra foi adquirindo amplas e variadas formas para se propagar e contagiar novxs compas. Nesse trânsito, todo gesto foi e é um aporte. Sem líderes nem dirigentes, estamos todxs chamadxs a buscar incansavelmente como contribuir para essa propagação, da forma que criamos mais certeira. Não há uma memória oficial, mas múltiplos gestos para seguir prokurando que viva a Anarquia.

O PASSO DOS ANOS

“Quatro anos? Me parece uma infinidade, mas também não foi nada quando Culmine me enviou a notícia daquele 22 de maio, junto com um recorte de jornal com sua foto. Apenas um pedaço de papel, uma imagem já marcada pelo tempo, destinada a se decompor rapidamente? Sim, mas também muito mais! É o símbolo de uma memória indelével, é uma imagem íntima e querida, uma das verdadeiramente poucas até agora, permanece sempre pregada na parede da cela. É um símbolo de uma relação com o guerreiro Mauri e com sua tribo guerreira, impressa com fogo sempre quieta e segura em meu coração e na minha mente. Além de qualquer fronteira, distância, repressão, e morte!”
– Marco Camenisch- (6)

Já são 10 anos da morte de Mauri, é quase inevitável fazer uma retrospectiva, analisar como foram acontecendo e se enfrentando diferentes fatos.

Fazer um resgate da beleza de certos momentos de confrontação, destacando a permanente presença da solidariedade, a agitação e a propagação da memória.

Não foram 10 anos de quietude ou de recordação em silêncio, foi um tempo onde de diferentes territórios se levantaram gestos de memória coletiva, como ideia/ação que tende a propagar a vida que Mauri foi forjando, sua decisão de confrontar o estabelecido, sua negação ativa a qualquer autoridade, ao mesmo tempo que de forma inseparável segue propagando a Anarquia e o Kaos como força vital.

A partida de Mauri tornou-se o ponto de encontro entre muitxs outrxs companheirxs. Um ponto de encontro para realizar novos desafios, é aí que reside a vitalidade da memória, não é a fotografia estática de um momento de confrontação, é o presente que vamos construindo, nutridxs tanto das experiências de outrxs companheirxs como de nossos próprios interesses e anseios. Assim vamos projetando o caminho.

Depois da passagem da morte e da caçada policial, nos afirmamos na orgulhosa decisão de não retroceder, alimentando o sorriso com a certeza de que o poder não pôde impor nem o silêncio, nem a submissão. Não pôde deter a dimensão ofensiva de nossa memória negra, que combate a resignação e o medo, apenas funcionais para a autoridade.

Punki Mauri tem estado presente nas ruas todo esse tempo, porque quem se lembra dele não está longe dos caminhos de luta, não se levanta uma memória da janela da comodidade, mas do terreno próprio do combate à dominação.

Não houve vitimismo, nem qualquer tentativa de apagar sua memória. Mauri não é o inocente que cai em uma montagem, era um ser anárquico que se atreveu a desafiar o imposto. Morreu como escolheu viver. Não é um herói ou um mártir idealizado, é apenas mais um companheiro, com defeitos e virtudes, com acertos e erros, cujas decisões de vida foram propagando o fogo nos corações anárquicos.

Nestes anos tem havido vários movimentos repressivos, muitxs companheirxs foram presxs, algumxs conseguiram sair das jaulas, outrxs receberam longas condenações. Algumxs companheirxs se foram, se cansaram, outrxs vão chegando e com sua raiva alegre trazem novas energias.

Muitxs daquelxs que hoje se lembram ativamente de Mauri o conheceram depois de sua morte, sentindo-se próximos e companheirxs através do que em vida foi forjando. Houve uma transferência  geracional da memória, como uma fibra negra que nos conecta e une. Na rua hoje continua rindo em outras risadas, com total vitalidade. Suas ideias ainda são ferramentas para resistir e atacar aquele que tenta nos dominar.

10 anos de sua morte, Mauri segue entre nós, se impregnando em novxs cúmplices. Segue presente no combate, gerando o desprezo da polícia e da imprensa, o vemos em suas grotescas campanhas de exposição e desprestígio.

Os anos passam, mas nossxs mortxs em guerra seguem nos acompanhando.

Boa Viagem Mauri

Nada terminou, tudo continua

“Algo sempre permanece. Dizem que as ideias são indeléveis. Aqui e ali e em todos lugares. Não apenas vocês, não apenas nós, todxs. Todxs e para sempre. Ainda temos um caminho à frente.” (7)

>> Notas:

(1) Comunicado escrito por três grupos de ação em 23 de maio de 2009, saudando o companheiro Mauricio Morales.

(2) Extraído do livro “Macul con Grecia. Fuego en las manos contra la Autoridad”.

(3) Comunicado escrito pelo Centro Social Okupado Sacco y Vanzetti no dia 22 de maio de 2009.

(4) Comunicado escrito por três grupos de ação em 23 de maio de 2009, saudando o companheiro Mauricio Morales.

(5) Texto publicado em 2013.

(6) Texto publicado em 2013.

(7) Escrito dos companheiros Yanis Skuludis, Sokratis Tzifkas (Prisão de menores de Avlona), Mpampis Tsilianidis, Dimitris Dimtsiadis (Prisão de Koridallos). 22 de Maio 2011.

(Texto extraído da publicação anárquica “Madre Tierra”, Número 3. Maio 2019)

publicacionmadretierra.noblogs.org
publicacionmadretierra@riseup.net

[Chile] Punki Mauri, presente! 10 anos da morte em ação de Mauricio Morales

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Som Punk em prol do Centro de Cultura Social dia 26/10

Disfonia
Satanlivre
Weirduo
Discrepante
Voz Ativa
Hino Mortal

Entrada: R$ 5,00 – renda revertida para o Centro de Cultura Social
Avenida Santos Dumont, 626 – Luz (Próximo ao metrô Armênia)

https://www.facebook.com/events/355832608436447

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Quarto número da publicação Crônica Subversiva

Na constante procura por compartilhar e expandir a revolta, a autonomia e as experiências que nos aproximam da anarquia, seja aprendendo dos compas, das suas ações, dos povos originários, seja nos chamando à solidariedade, compartilhando nossa constante fincada no poder ou compartilhando nossas formas de vida em rebeldia, aparecemos com mais um número da Crônica Subversiva.

“Em tempos de anúncios de cortes e políticas nefastas que reatualizam com maior vigor o genocídio, acreditamos importante trocar algumas idéias sobre o inimigo.

O Estado, é a máquina dos tiranos para governar (dominar, devastar a terra, reprimir). Para o Inimigo, governar é imprescindível e arrumar sua máquina de controle é necessário para dominar. Porém, arrumar a máquina não evita que ela siga sendo uma máquina que devasta, explora e mata.

Se estamos, por exemplo, contra a Reforma da Previdência não é porque defendemos a anterior, mas porque a obrigação de gerar dinheiro para comprar e morar segundo as convenções das cidades, pode roubar ainda mais o nosso tempo de vida, e essa é uma agressão. Que não seja um tapa na cara, não quer dizer que não seja uma agressão bem pensada e planejada desde as poltronas dos que mandam. Aqueles que criam as leis e suas reformas já estão em uma situação de privilégios, e não precisam do Estado para sobreviver, mas para dominar melhor. Suas leis e reformas servem apenas para isso, para dominar melhor. Assim se estamos contra a reforma é porque a enxergamos como um aperto mais na porca dessa máquina que funciona como um garrote vil contra as pessoas.

Fascismo! Dirão alguns. Ditadores! Dirão outros, saudosos das décadas passadas. Mas o inimigo, não é apenas sua posição política, ele pode se vestir de verde amarelo, de vermelho ou de azul e rosa. O inimigo não é apenas um presidente, alguns falam dele como o sistema, capitalismo, sociedade tecno-industrial, civilização, civilização ocidental.

O que todos esses nomes tem em comum é a vontade de dominação, mas as formas em que essa dominação acontece podem nos confundir e achar que o inimigo é a polícia, a burguesia, os falsos críticos, os políticos. O inimigo, através de seus disfarces, é isso tudo funcionando, e até fazendo cúmplices a muitos, porém tem um rosto, uma história, uma cultura, e uma visão do mundo que é imposta como a visão do mundo “normal”, “natural”, é aquele representante do projeto de imposição da civilização ocidental, aquele que enxerga a terra como um recurso, as pessoas como trabalhadores ou eleitores, aquela forma de entender a vida como uma experiência na qual tudo pode ser comprado, e vê aqueles que não estão à venda como selvagens, atrasados ou menores de idade. O inimigo é aquele que anseia a dominação, o totalitarismo, a obediência e o controle absolutos.

Felizmente o inimigo é apenas um projeto porque povos milenares resistem há séculos e nós nos opomos a ele ativamente.

Impedir que os inimigos dominem, lutar contra isso com todas as ferramentas possíveis, ser ingovernáveis, sabotar toda tentativa de governo, é estar contra todas suas reformas, contribuir, aqui e agora, com a destruição da dominação.”

Que os atos subversivos, assim como nossas formas de existir, resistir e combater continuem povoando estas páginas.

Crônica Subversiva | Outono-Inverno 2019

>> Conteúdo:
• PRIMEIRAS PALAVRAS: A máquina dos tiranos e a cara do inimigo.
• 1° DE MAIO. Entre a violenta luta pela liberdade e a festa do trabalho.
• Uma Flamejante Clareza
• 22 De Maio Dia Do Caos
• Morte ao rei!
• PELA TERRA, CONTRA O CAPITAL
• MEMÓRIA COMBATIVA: A Batalha Da Praça Da Sé
• KATAKLISMA: Ventos frios na Rússia fazem nosso sangue ferver no Brasil.
• As repressões continuam em Madrid e na Itália. / A liberdade de Panagiotis.
• Pastora Dominguez Gonzalez.
• Separata: COLETES AMARELOS. GUERRA CIVIL OU GUERRA SOCIAL?

>> PDF para baixar e imprimir:

Crônica Subversiva 4
https://mega.nz/#F!YrhRWYQK!kVzOaWy7UzP6yPnGMkIC1A

Contato: cronica-subversiva@riseup.net

>> Números anteriores:

Crônica Subversiva 1
https://mega.nz/#F!ZjIzgQgY!xY406VUMwMfz3pPIsIw03A

Crônica Subversiva 2
https://mega.nz/#F!Ji4xWKjQ!0lNlGjYsZilPEPBvz_8QKw

Crônica Subversiva 3
https://mega.nz/#F!Y2xFgSKJ!gevJrrpkcZ1uGaraTc6qSA

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Terceiro número da publicação Crônica Subversiva

Os anárquicos, os tiranos e as Crônicas Subversivas.
Muitos estigmas, histórias e até boatos, antecedem os anárquicos. Porém nossa carta de apresentação é simples: a vontade de não se inclinar diante de ninguém, viver em absoluta liberdade, longe de explorar ou ser explorados. Que essa carta chegue no meio dos estrondos da luta contra quem atenta contra essa simpleza, não é por vocação de conflito. Quem declara a guerra contra todo ser livre e vivo que não admite ser escravo, muitas vezes termina colhendo o revide, isso foi criando nossa terrível e formosa memória. Como todo ser que não se submete, cultivamos a sensibilidade de não dar por normais as múltiplas formas da dominação e não ficamos indiferentes aos embates do poder.

E mataram mais um pouco da terra.

A empresa VALE, atacou mais uma vez a terra. Faz dois anos mataram o Rio Doce, e foram premiados pelo estado e as ongs através da fundação Renova, dedicada à recuperação do Rio Doce, e com a qual lavaram manchas da lama. E agora assassinam mais pedaços de terra. Os funcionários são simples elos miúdos de um mostro gigante. Seu presidente, intocável, para pôr um exemplo, não é questionado, apedrejado ou forçado a fugir, ele fala, junto dos governantes como se fosse voz neutra na história. A Vale é uma das maiores mineradoras do mundo e a maior empresa de logística da região. Opera em 14 estados, nos cinco continentes, possui 2000km de malha ferroviária e 9 portos. Benjamin Steinbruch, também dono do Grupo Vicunha, o maior grupo têxtil do continente, e do Banco Fibra, é seu proprietário. O lema da sua empresa é: “Para um mundo com novos Valores”. Valores que impõem atentados contra a terra mantidos em nome do progresso. A ordem em que funciona esta forma de “vida” não faz mais do que erradicar lentamente o lugar que habitamos. Os governantes justificam a ordem da devastação e submissão. Porém não são apenas eles…

Impuseram um tirano.

Os servos voluntários, os amantes da obediência, nas últimas eleições, impuseram um fascista.

A democracia é o jogo da imposição dum mandatário segundo os ânimos dos eleitores. Mas entender o resultado destas eleições é entender que uma significativa parte das pessoas com as que convivemos amam obedecer, amam a chibata e pouco lembram das revoltas pela liberdade das que são herdeiros. Nada lembram das vitórias de Zumbi dos Palmares, nem da revolta da chibata, nada herdaram da memória da greve de 1917, nem da revolta de Sepe Tiarajú, Mandu Ladino, nem Nheçu. Pouco aprenderam dos balaios, dos guerreiros do Xingú, dos cortadores de cabeças do Tapajós. Os amantes dos tiranos mostraram que há uma divisão profunda entre as pessoas que amam a liberdade e aquelas que a querem restrita e subordinada a um líder.

Estamos num momento em que a visão do mundo, totalitária, de direita, está tendo um reposicionamento nos governos. O seu discurso nem sequer está adocicado, louva escancaradamente os fundamentos do totalitarismo: o mando, a obediência, a família tradicional, deus, o patriarcado e o militarismo. E parece até ganhar seguidores. As explicações podem ser muitas: Que os valores inclusivos não incluíram os excluídos de sempre; que a democracia nunca conseguiu o bem estar geral; que se desiludiram da esquerda, que as igrejas, inocularam valores autoritários; que as pessoas se conformaram com ter quem as governe e não enxergam além disso. Sob quaisquer explicação, impuseram um tirano, e vamos ter que combatê-lo.

Os territórios não civilizados, os grupos de afinidade, grupos de ação, espaços okupados, e sobretudo grupos que confrontam à dominação, tem a radicalidade dos instintos que não se inclinam diante desses valores e forma de vida. Mas viver a margem não é a singela resposta. Se ficamos indiferentes ou neutralizados, por muito que moremos alternativamente, ecologicamente, inclusivamente, desconstruidamente, ainda seremos cúmplices da paulatina consolidação do totalitarismo.

Por isso, espalhamos posições que se afastam das chamadas ao voto útil, das paranoias e autoexílios. O medo não pode fazer abdicar tanto como para correr a ser protegidos pelo amo vermelho! Precisamos ter a certeza de nossa rejeição ao domínio e procurar nos fortalecer no encontro, na insistência das nossas idéias, na dissidência da dissidência passiva, para continuar acreditando em nós mesmos.

A Crônica Subversiva, ou os relatos da subversão.

Nossa publicação, pega o nome da Cronaca Sovversiva, um jornal anárquico editado por Luiggi Galliani, nos Estados Unidos, entre 1903 e 1918, ano em que foi ilegalizado e fechado. O jornal era o ponto de confluência de muitos anárquicos na época, na sua maioria imigrantes italianos, todos eles no confronto contra as iniquidades, pelo qual foram perseguidos, mortos ou deportados, entre eles lembramos de Sacco e Vanzetti, Mario Buda, Carlo Valdinoci, e do cozinheiro anarquista Jean Crones. A Cronaca Sovversiva teve tanto vôo que os subscritores chegaram a 5000, e vários jornais tomaram o mesmo nome em diferentes regiões e momentos. No Rio de Janeiro, em 1918, também existiu uma Crônica Subversiva, jornal anarquista, que teve a contribuição do José Oiticica, fechado pelos arranques repressivos contra a insurreição anarquista daquele ano.

Este terceiro número, mais uma vez, difunde atos rebeldes da insondável beleza da liberdade, esperando que sejam a chispa da próxima fogueira. Ainda com o panorama nefasto e maiores obstáculos a frente, temos confiança no instinto dos ingovernáveis. Cada fato de revolta, insubmissão e desobediência, alentam esta publicação e animam a sentir que estamos onde sempre estivemos, contra toda autoridade, na defesa da terra e da liberdade.

Conteúdo:

– Os anárquicos, os tiranos e as crônicas subversivas
– Direitos humanos. Quando nossas vontades não cabem nas suas leis.
– O Protesto | Um jornal anarquista que desafiou a lei de segurança nacional
– Pela Terra. Contra o Capital!
– Aconteceu em Porto Alegre: Combate o Fascismo.
– Um pouco de flamejante clareza
– O principio de Autoridade.
– De olho na revolta social do outro lado do oceano: coletes amarelos: guerra civil ou guerra social?
– Entrevista com um dos 23 processados pelas revoltas de junho de 2013
– SEPARATA: Nossa é a convicção! Sobre os ataques anárquicos no território controlado pelo estado argentino. /A saúde em nós!/Misha.

Contato: Nosso sincero convite para compartilhar com nós toda ação e relato de eventos, propaganda, agitação ou desborde que esteja contra toda autoridade na luta pela terra e liberdade.

Nosso novo email: cronica-subversiva@riseup.net

Porto Alegre, Verão de 2019

>> Baixe a Revista Crônica Subversiva n° 3 aqui:
https://mega.nz/#F!TnQ0DQzC!WyuhwdzYG0kB3KMaM2ePJA

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Chamado para uma feira de materiais independentes – Atividade da semana internacional pelxs anarquistas presxs

Em resposta ao chamado da “sexta semana internacional em solidariedade pelxs anarquistas presxs”, que acontecerá do dia 23 ao 30 de agosto, haverá uma primeira feira de inverno de materiais independentes no dia 25 deste mês.

Este é um chamado aberto para quem quiser nos enviar propostas com o foco anti autoritário para somar na atividade. Além disso, é principalmente um convite para participar dessa iniciativa no espaço Tia Estela, situado de baixo do “viaduto alcântara machado” em São Paulo. Toda contribuição para autogestão do espaço é bem-vinda.

A luta pela liberdade não acontece sem a luta contra as prisões. Estes espaços repugnantes estão cercados por muralhas, formas violentas de controle, dispositivos de segurança e vigilância constante. Sem uma estrutura como estas seria impossível de algum Estado ou qualquer governo manter-se no poder. É necessário enxergar as cadeias não só como a principal ferramenta da dominação contra as pessoas subversivas que preferem a guerra à passividade das massas, mas também como laboratório do sistema e um dos principais meios para perpetuar a escravidão e o trabalho.

Uma batalha foi perdida porém mesmo atrás das grades a luta continua. Dentro das cadeias está, de maneira contida e continuada, os conflitos contra os aparatos jurídicos dos estados nação e toda sociedade moralista que lhe dá suporte. Essa realidade prolonga a caminhada pela destruição da civilização, das máquinas predatórias do mundo cibernético e industrial, de todas as grades, muros e fronteiras que massacram a vida na terra.

Por essas e muito mais coisas, é necessário apoiar xs anarquistas presxs, não deixa-los sós e, com isso, voltar nosso olhar para as pedras pilares que dão corpo ao inimigo.

“Viver a anarquia comporta o risco de acabar no cárcere” – Marco, cárcere de Alexandria.

O cronograma completo estará disponível no dia 23 de Agosto.

Inverno Anárquico

invernoanarquico@riseup.net

Fonte: Tormentas de Fogo – https://tormentasdefogo.espivblogs.net/2018/07/18/chamado-para-uma-feira-de-materiais-independentes-atividade-da-sexta-semana-internacional-pelxs-anarquistas-presxs/

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Roda de conversa em solidariedade com Marcelo Villarroel Sepúlveda em $$ão Paulo

“Na próxima segunda-feira, no dia 23 de Agosto, acontecerá um encontro em solidariedade ao preso libertário Marcelo Villarroel Sepúlveda, que encontra-se encarcerado no presídio de segurança máxima de Santiago, território controlado pelo estado chileno, juntamente à Juan Aliste Vega.

Durante o encontro haverá leitura e escrita de cartas, atualizações sobre o “caso security” que se prolonga desde 2007 e uma conversa informal.

O encontro acontecerá no espaço tia estela, situado na okupa do viaduto no Brás, em São Paulo.

Para enviar qualquer mensagem, sugestões ou contribuições escreva para: atentadoautonomo@espiv.net

‘Enquanto houver miséria haverá rebelião’”

Fonte: Tormentas de Fogo – https://tormentasdefogo.espivblogs.net/2018/07/18/brail-roda-de-conversa-em-solidariedade-com-marcelo-villarroel-sepulveda/

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Da Memória à Rua – Alguns textos e reflexões a 9 anos da morte em ação de Mauricio Morales

Um caminho subversivo…

Para aquelxs que não sabem ou não se lembram, Mauricio Morales morreu numa madrugada de maio enquanto configurava o tempo e a ativação para colocar um artefato explosivo na Escola de Gendarmeria (carcereirxs), configuração temporal apropriado para iniciar a retirada entre os pontos cegos estudados e aqueles lugares que secretamente abrigavam sua atividade anarquista. Mas histórias insurgentes nem sempre são escritas como esperamos, entre fortuna e tensão de maneira inesperada aquela explosão dirigida a essa horrenda instituição não foi acompanhada pela alegria de concretizar o ataque, desta vez eram fragmentos, suspiros profundos, dor e a resistência que veio depois. Foi no dia frio 22 de maio de 2009, quando o Punky Mauri atacou pela última vez. Hoje recordamos nosso companheiro na plenitude do conflito e com o dinamismo próprio com o qual ele decidiu enfrentar o inimigo.

Okupações, bibliotecas, rádios comunitárias, fóruns, leituras, organização e distúrbios. O pensamento e a ação do companheiro que, longe de pôr fim à ofensiva anarquista, contribuiu para o ataque de todas as vontades que em diversos lugares do mundo responderam à morte de um guerreiro, transformando a memória combativa numa arma perigosa e transgressora, advertendo que mil horas de teoria equivalem a um minuto de ação.

O exercício da lembrança não foi nem será uma palavra morta, evocar nossxs mortxs significa pôr em movimento o compromisso de guerra de ontem e de hoje.

Nos reconhecemos e lembramos do companheiro nas ruas deste bairro porque é onde ele desenvolveu mais ativamente sua vida política. O comemoramos não olhando para um passado hermético e distante, mas de um presente que requer atividade e compromisso, pois o avanço da dominação não pára de espalhar a miséria nos territórios ou nas pessoas que habitam este mundo.

A cartografia do conflito anárquico é traçada contra a corrente e a incerteza de nossa luta não resulta numa rápida e simples questão. Os resultados individuais e coletivos das ações empreendidas tornam-se as marcas deixadas entre o ensaio e o erro, experiências da jornada que devemos transformar em aprendizagens.Os caminhos que as e os anarquistas transitamos não só respondem as jogadas do poder, como também compõem diversas iniciativas que nascem das entranhas da práxis anárquica e que se cristalizam em nossos questionamentos/práticas e na forma que entre iguais as trabalhamos; sempre à margem da autoridade e suas condutas esmagadoras. Temos claro que se não nos organizamos, se não estamos dispostxs a superar as diferenças e trabalhar coletivamente com projeções e perspectivas firmes e críticas, o capitalismo e seus males continuarão avançando.

Cruzando os tempos e os espaços do poder, somos a negação da estrutura que criaram.

A revolta nos têm impacientes e somente com as noites de alegre subversão poderemos romper a miséria repetitiva de seu mundo de ordem e autoridade.

Que a memória grite no fogo
dos próximos distúrbios.

A insurreição abre horizontes.

Mauricio Morales presente na
determinação e nos atos daquelxs
que buscam a Anarquia.

Maio 2018.

Baixar aqui (em português)
Baixar aqui (em espanhol)

Fonte: Instinto Salvaje – https://instintosalvaje.org/?p=12397

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22 de maio – Dia do caos

Na manhã de 22 de maio de 2009 nos levantamos com uma ferida incurável, nos golpeou gravemente a notícia da morte em ação de um rebelde. O coração anárquico de Mauricio Morales Duarte havia deixado de bater, seu corpo sem vida jazia no meio da rua Ventura Lavalle no centro de Santiago, a poucos metros da escola de Gendarmeria [carcereiros] do Chile. O artefato explosivo com o qual pretendia atentar contra esse símbolo da sociedade carcerária detonou inesperadamente, causando sua morte e desatando uma tragédia. Uma bicicleta, um punhal e um revólver o acompanharam em seus últimos suspiros… nossas lágrimas o acompanharam quando seu corpo voltou à terra.

Este mês recordemos o “Punky Mauri”, com suas ideias/ações e também com todas as suas contradições, com sua vida inquieta e sua burlesca alegria. Hoje a 9 anos deste acontecimento levantemo-nos com um irredutível sorriso cúmplice, irmanando-nos com a urgente necessidade de ataque, intensificando nosso latente impulso de destruir esta sociedade, incendiando nossos apaixonados desejos de liberdade. Este maio de 2018 procuremos que viva a Anarquia…

22 de Maio – Dia do Caos!

NOSSA MEMÓRIA É NEGRA, NOSSO CORAÇÃO TAMBÉM!

fonte: agência de notícias anarquistas

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Rajada – Publicação contrainformativa #1

 

A primeira parte da publicação contrainformativa RAJADA está pronta.

A publicação RAJADA não está alinhada com a visão predominante da
sociedade.

Esta publicação reúne algumas palavras dirigidas na contramão do sistema
e sobretudo das pessoas que o mantém funcionando.

Na capa, André Soudy, da “gangue Bonnot”, guilhotinado por negar pedido
de clemência ao estado francês.

PARTE UM:

  • “HOJE POR HOJE” por Sebastian Oversluij

  • “ANARQUISMO INDIVIDUALISTA” por S.E. Parker

  • “UMA NOTA SOBRE AUTORIDADE” por Enzo Martucci

  • “LIBERDADE E SOLIDÃO” por Marilisa Fiorina

  • “ICONOCLASTAS, AVANTE!” por Renzo Novatore

  • ”ANTES DE DORMIR” por Mauricio Morales

Em memória de Paul Z. Simons

Para ler ou baixar clique AQUI.

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Malespero Hellba Sudeste/Sul Tour 2018

Escalpo Fest – Sexta-feira, 27 de abril – $$ão Paulo/$P
Às 18:30 no Underground Club – Av. Santos Dumont, 626 – (Próximo ao metrô Armênia) – Entrada R$10,00Paranoiase
Weirduo
Vozes Incômodas


Prophets Of Chaos Fest – Sábado, 28 de abril – Várzea Paulista/$P
Às 14:00 no Barphomet – Rua São José do Pardo, 30 – Jardim Paulista (Próximo as quadrinhas, seguindo em frente ao antigo Taverna Snooker Bar) – Entrada R$5,00

Sujera
Bastard God
Regurgimentação Necrovaginal Sangrenta
Obitto


DIY Underdog Fest – Domingo, 29 de abril – Itapetininga/$P
Às 16:00 na Casinha Ocitocina – Rua Aristides Lobo, 96 – Centro – Entrada R$5,00

Vermenoise
EmbustE


Work For Never Fest parte 1 – Segunda-feira, 30 de abril – Colombo/PR
Às 20:00 no Marlise Rock Bar – Rua Cascavel, 508

Vox Mortem
DxTxS
Chubasa
Infarto HxC
Broken Death
DeathSmoke


Work For Never Fest parte 2 – Terça-feira, o1 de maio – Curitiba/PR
Às 15:00 no 92 Graus Underground Pub – Avenida Manoel Ribas, 108 – São Francisco – Entrada R$10,00

Vox Mortem
Slammer
Mustaphorius
Broken Death
Drop The Shit


Sexta-feira, 04 de maio – Rio Negrinho/$C
Às 20:00 no Magos Bar – Rua Mathias Simões de Oliveira, 128 – Industrial Sul – Entrada R$15,00

Satanabis
Violent Curse


Punkadaria Fest – Sábado, 05 de maio – Passo Fundo/R$
Às 17:00 na Kza do Montanha – Rua Alegrete, 755 – Vera Cruz – Entrada R$10,00 antecipado/R$ 15,00 na hora

DLM
Bestial Fucker


Domingo, 06 de maio – Florianópolis/$C
Às 18:00 no Taliesyn Rock Bar – Rua Victor Meirelles, 112 – Centro – Entrada R$10,00

Fatal Blow
Sin Rejas

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